Messianismo armado


Para o messias futuro presidente, os países do Mercosul são a "escória do mundo". Apesar dessa declaração ainda em 2017 - vejam como tivemos tempo para desconfiar e pensar -, ele foi eleito. Eleito pelo desconhecimento histórico persistente, nosso projeto de nação, mas também pela mesma esperança dos sebastianistas, dos crentes, dos colloridos caçadores de marajás e de outros que esperam por "aquele que vai salvar o país". Acharam, inclusive, que o PT o faria. O gosto do brasileiro por messias é mesmo notável.


Se tal declaração não assustou nem alguns formalmente educados e aparentemente esclarecidos, era de se prever a força que alcançaria seu pensamento complementar em meio à massa da mídia: o antipetismo. A criatividade e a carência do brasileiro não o poupariam do maniqueísmo ou da dicotomização de um protopensamento político amparado na discurseira de um personagem autoritário incapaz de articular poucas frases com o mínimo de coerência. A nossa história, tão voluntariamente desconhecida, não faz frente à sedução do discurso agressivo e das soluções imediatas e radicais do capitão salvador.


Tempos recentes, pré-temerosos, mostraram que, apesar do alinhamento dos planos de governo ao avanço neoliberal na esfera pública, as narrativas presidenciais foram também discursos de atribuição de poder ao povo, para alcançar o reequilíbrio das relações entre agentes sociais desfavorecidos perante empresários e grandes produtores, assim como entre o Brasil dependente e as nações desenvolvidas. Houve momentos de resistência à tese neoliberal de que a estabilidade econômica se opõe ao crescimento do investimento social. Os Brics, a Unasul, a Celac, o próprio Mercosul estavam na pauta da reescala global, fazendo frente pacífica ao G7, mas a maioria preferiu o símbolo das armas. Por quê? Por identificação com a linguagem autoritária, deselegante, discriminatória, violenta.


O jornalista Bob Fernandes disse que é óbvia a identificação entre o líder e seus seguidores e seguidoras: o que e como dizem revela o máximo que conseguem pensar e traduzir em onomatopeias: “'kkk', 'mimimi' e 'chora'. Em momentos de grande inspiração e profundidade, empregam 'chola'”. É mesmo de chorar.




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